Amar é dedicar-se a alguém de forma terna e sincera, sem objetivar finalidades lucrativas ou qualquer tipo de benefício. O amor, em suas diversas formas de manifestação, é dito como o sentimento que fundamenta e estrutura toda a vida do ser humano, e, exatamente por carregar tamanha responsabilidade, pode também ter um desequilíbrio constante.
Não há condições para amar uma pessoa, tampouco funções objetivas derivadas do próprio amor. Amar é deixar levar-se pela abstração e entregar-se ao mundo de inovações e mudanças que o mesmo propõe. Somos demasiadamente frágeis quando comparados a grandiosidade do mundo e aos conceitos que vão além da metafísica explicativa. Somos micro-partículas, serezinhos pequenos, simples, temerosos e desconfiados.
Porém, ainda assim, somos capazes de amar. Pode parecer bem simples, mas dedicar-se a um amor é confiar puramente na pessoa a quem o dedica, e isto não é fácil. Deixar de lado todas as nossas inseguranças e se embrenhar numa história em que somos os protagonistas e não temos a menor ideia de que final terá esse suposto "conto de fadas". É como atirar-se num rio sem ter ideia de sua profundidade ou os obstáculos ocultos pelas águas.
Como? Como conseguimos fazer isso? Como conseguimos deixar a razão em segundo plano e ficar à mercê de algo que não temos o mínimo controle? Simples. É a manifestação do superego. A repressão tão habitual em nosso cotidiano não tem muita valia quando o tempestuoso e exagerado amor entra em cena. Ele se torna o ator principal e, a partir desse momento, nossa concentração tende a fixar-se em suas encenações e atuações, deixando o pobre consciente como mero coadjuvante que tenta, porém não consegue, voltar a ser o grande astro.
Nos deliciamos tanto com suas formas de se manifestar que decidimos, de forma ligeira e impensada, entrar em cena também. Apesar de não saber o roteiro do espetáculo e nem a postura comportamental a ser adotada. É ai que a surpresa faz sua participaçãozinha especial. Surpreende-nos quando prova a nós mesmos que o verdadeiro EU pode ser multifacetado.
Ainda assim, não nos importamos. Uma das coisas bacanas no amor é exatamente a sensação de segurança e felicidade eterna que ele proporciona. Cada segundo vale a pena, porque, afinal, estar ao lado de quem gostamos não tem preço.
E mesmo com o fim, mesmo quando o último ato dessa história termina, é importante que vejamos tudo como algo bom. nada é ao todo irrelevante. é como um livro, mesmo que o conteúdo não seja o que almejamos, não podemos afirmar que não aprendemos absolutamente nada com a leitura.
Amar é deixar de lado as compreensões colocadas como necessárias, e embrenhar-se num misto de loucura e surpresas. É viver da forma que queremos e do jeitinho que queremos, sem temer o julgamento alheio.
2 comentários:
Texto maravilhoso!!! Parabéns por escrever tão bem, por usar a escrita como canal de ligação com os seus pensamentos e sentimentos!!!
Beijos e abraços,
Jobbynho!
Nossa, o que dizer? Eu AMEI!
Sério, comecei a ler pensando em dialogar com o texto, mas ele está tão incrível que não me caberia!
Parabéns Anjoca!
Ficou muito bom! *_*
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