domingo, 31 de março de 2013

Um pouco mais de...



O porquê disso tudo...
A arrogância destrói a sabedoria humana.

Híato
Gotejava. Abri a janela e vi a massa cinzenta aproximando-se vagarosamente. Peguei o cigarro, acendi-o, coloquei-o na boca e traguei. Gotejava. Preparei-me para sair do quarto, para presenciar a chuva, para desfrutá-la de alguma forma... Desisti. Não necessariamente por falta de coragem... Talvez fosse o cansaço. Cansaço por cansaço. Cansaço de tentar encontrar lá fora o que não possuía ali dentro. Mais um cigarro. Sentia que a cada dia uma parte de mim morria, partia, sumia. Não mais me reconhecia. As circunstâncias extraíram de mim a essência que sempre considerei tão absolutamente própria que jamais cogitei perder. Sou eu. Um eu vazio. Oco. Deformado. Sou eu, eu! Sofri mutilações, fruto de minhas decisões erradas (ou não)!

Abril
Busquei na dor as respostas para as minhas perguntas. Minhas descobertas sobre a vida, sobre o mundo... minhas perspectivas, meus anseios... são frutos das minhas mutilações. Se me transformo, me recrio, não é por medo de assumir quem eu sou. Mas por medo de me tornar parte dessa massa homogênea. Da mesmice. Do igual. Do padrão.  A exatidão nos cega!

Café
Cumpri parte das minhas promessas. Não, não sou honesto. Sou covarde. Um café, por favor.

Vermelho
Policiei-me. Sabia o que fazer, como fazer e tinha motivos para fazê-lo, mas não o fiz. Alguns acentuam essa inércia, chegando a compará-la à covardia. Outros tantos apenas me consideram fraco depois. O que é a fraqueza senão a negação assídua à mudança? O contentamento com o que já se tem, e a completa falta de vontade de tentar algo novo... A escolha do batom, o sapato, a gravata... vejo vermelho em todos os cantos.

Memórias
Há memórias esquecidas na mente de todo ser humano. Memórias que esquecemos sem querer, e a grande maioria delas: memórias que esquecemos propositalmente, numa tentativa desesperada de não se lembrar o que viveu. A lembrança às vezes dói.

Paixonite
Embrenhei-me nesta paixão eloqüente quando tinha apenas 15 anos. Pessoas que jamais amaram dizem que amor de 15 anos é “paixonite”, entretanto, a suposta paixonite perdura anos e anos, às vezes acomoda-se de tal maneira que dura uma vida inteira.

Justiça?
Justiça essa que não se aplica a toda e qualquer pessoa? Justiça essa de meios termos e meias palavras? Pergunto-me qual é o verdadeiro significado da justiça e se isso se aplica realmente nos dias atuais... não obtenho respostas.

Solidão
Solidão. Eis algo que sinto com uma freqüência absurda, o que me deixa com medo. E o medo se transforma em recuo, covardia... e volto novamente a solidão. É um círculo vicioso que me leva sempre ao mesmo lugar.

Ir, voltar, ficar!
Sempre quis que me impedisse de fazer algo, que pedisse pra ficar, me convidasse para fazer algo diferente, me permitisse participar de sua vida. Mas seu mundo lunático não tinha lugar para duas pessoas. Eu não poderia entrar... não havia lugar pra mim.

Mentira
Sou a contradição em pessoa. Minto a mim mesmo. Minto pra todo mundo.  

Um pouco mais de...
Se te sufoco com o meu amor, perdoa-me. Sou tolo demais, humano demais... ainda não aprendi a lidar com o amor. Talvez nunca aprenda. Não é por falta de tentativa... eu tento. Tento ignorar sua existência e seu descaso... no entanto, quanto mais se mantém distante, mas me mantém por perto.