O porquê disso tudo...
A arrogância destrói a
sabedoria humana.
Híato
Gotejava. Abri a janela e vi a massa cinzenta aproximando-se
vagarosamente. Peguei o cigarro, acendi-o, coloquei-o na boca e traguei.
Gotejava. Preparei-me para sair do quarto, para presenciar a chuva, para
desfrutá-la de alguma forma... Desisti. Não necessariamente por falta de
coragem... Talvez fosse o cansaço. Cansaço por cansaço. Cansaço de tentar
encontrar lá fora o que não possuía ali dentro. Mais um cigarro. Sentia que a
cada dia uma parte de mim morria, partia, sumia. Não mais me reconhecia. As circunstâncias
extraíram de mim a essência que sempre considerei tão absolutamente própria que
jamais cogitei perder. Sou eu. Um eu vazio. Oco. Deformado. Sou eu, eu! Sofri
mutilações, fruto de minhas decisões erradas (ou não)!
Abril
Busquei na dor as respostas para as minhas perguntas. Minhas
descobertas sobre a vida, sobre o mundo... minhas perspectivas, meus anseios... são frutos das minhas
mutilações. Se me transformo, me recrio, não é por medo de assumir quem eu sou.
Mas por medo de me tornar parte dessa massa homogênea. Da mesmice. Do igual. Do
padrão. A exatidão nos cega!
Café
Cumpri parte das minhas promessas. Não, não sou honesto. Sou
covarde. Um café, por favor.
Vermelho
Policiei-me. Sabia o que fazer, como fazer e tinha motivos
para fazê-lo, mas não o fiz. Alguns acentuam essa inércia, chegando a
compará-la à covardia. Outros tantos apenas me consideram fraco depois. O que é
a fraqueza senão a negação assídua à mudança? O contentamento com o que já se
tem, e a completa falta de vontade de tentar algo novo... A escolha do batom, o
sapato, a gravata... vejo vermelho em todos os cantos.
Memórias
Há memórias esquecidas na mente
de todo ser humano. Memórias que esquecemos sem querer, e a grande maioria delas: memórias que
esquecemos propositalmente, numa tentativa desesperada de não se lembrar o que
viveu. A lembrança às vezes dói.
Paixonite
Embrenhei-me nesta paixão eloqüente quando tinha apenas 15
anos. Pessoas que jamais amaram dizem que amor de 15 anos é “paixonite”,
entretanto, a suposta paixonite perdura anos e anos, às vezes acomoda-se de tal
maneira que dura uma vida inteira.
Justiça?
Justiça essa que não se aplica a
toda e qualquer pessoa? Justiça essa de meios termos e meias palavras? Pergunto-me
qual é o verdadeiro significado da justiça e se isso se aplica realmente nos
dias atuais... não obtenho respostas.
Solidão
Solidão. Eis algo que sinto com
uma freqüência absurda, o que me deixa com medo. E o medo se transforma em
recuo, covardia... e volto novamente a solidão. É um círculo vicioso que me
leva sempre ao mesmo lugar.
Ir, voltar, ficar!
Sempre quis que me impedisse de
fazer algo, que pedisse pra ficar, me convidasse para fazer algo diferente, me permitisse
participar de sua vida. Mas seu mundo lunático não tinha lugar para duas
pessoas. Eu não poderia entrar... não havia lugar pra mim.
Mentira
Sou a contradição em pessoa.
Minto a mim mesmo. Minto pra todo mundo.
Um pouco mais de...
Se te sufoco com o meu amor, perdoa-me. Sou tolo demais,
humano demais... ainda não aprendi a lidar com o amor. Talvez nunca aprenda. Não
é por falta de tentativa... eu tento. Tento ignorar sua existência e seu
descaso... no entanto, quanto mais se mantém distante, mas me mantém por perto.