sexta-feira, 1 de abril de 2011

A fórmula

Me levanto. Escovo os dentes, tomo banho, tomo o café da manhã, vou trabalhar.
Em casa me rotulam como alguém sábio, no trabalho um serzinho arrogante, na faculdade o anti-social. Rótulos, rótulos, rótulos.

Para se viver nesse mundo é impossível não rotular ou ser rotulado (infelizmente). Isso já faz parte da nossa cultura de costumes e sociedade de valores muito integros (dormirei). Somos ensinados desde cedo a ter uma visão superficial e estereotipada sobre a vida, o mundo e as pessoas que vivem ao nosso redor. Porém, não temos a quem culpar. Vejamos os nossos pais: eles passam a nós tudo o que acham que é certo, e por vezes têm ideias um tanto preconceituosas e as transmitem inconscientemente (ou consciente mesmo, vai saber). Nós, provavelmente, faremos as mesmas coisas com os nossos filhos e assim sucessivamente, como um círculo vicioso de atitudes nada adequadas. Sendo raras as exceções.

Rousseau acreditava que as pessoas eram boas por natureza e que a sociedade as corrompia, não podendo essas pessoas voltar ao estado natural por mais que quisessem, uma vez que já conheciam e viviam a realidade humana, tão dura, tão sórdida, tão perdida em devaneios. As pessoas mudavam seus valores pois precisavam viver em sociedade e se adaptar ao que, supostamente, era certo (e devido também).

Já Hobbes afirmava que "o homem é lobo do próprio homem", ou seja, o homem já é ruim por natureza, tendo a sociedade apenas papel antagonista na trama. O homem não é corrompido por uma sociedade cruel e injusta, ele já nasce corrompido (safadinho).

Então, nos deparamos com preconceitos absurdos, mentalidades super fúteis e muita (muita mesmo) falta de camaradagem dos nossos amigos governantes. Tá, isso vem de quem? Mamãe? Papai? Tia Alice? Sociedade ingrata? Ainda não descobri, mas, reparei numa coisa engraçada que pra mim é parte fundamental da "desestrutura" social. É meio idiota, mas, pode ter certeza que provavelmente já aconteceu com você (talvez a sua memória pouco privilegiada não lhe permita lembrar, desculpa auhaua).

Porque, quando crianças (até os 5 anos mais ou menos), achamos normal os menininhos e menininhas da classe se abraçarem? É, a gente se agarra o tempo todo, sem nenhuma malícia aparente. Nos beijamos, nos jogamos no chão, cara é uma bagunça só. Daí crescemos e vemos dois meninos se abraçando (isso lá pelos 10 anos mesmo) e, putz, eles são chamados de "bixinhas". E se menino e menina se abraçarem os gritinhos de "tá namorando" são predominantes (fato comprovado). Pior, quando dois guris com seus 16 anos se abraçam, fo***. Já passa de brincadeira sem graga no primário para preconceito assumido na adolescência. Gritos odiosos de "gay", "viado", "maldito puto" são mais ouvidos que as músicas horrendas que seus vizinhos insistem em ouvir. Sinceramernte isso me assusta um bocado (falar "bocado" me lembra do meu amor platônico pelo Stephen King e nem sei se isso é bom, mas, falemos disso num outro post), porque, você percebe que Hobbes tinha um tantinho de razão e Rousseau também (não literalmente claro, mas, interpretemos isso com a mente bem aberta e alheia a superficialidades).

Talvez o ideal fosse isolar criancinhas de cinco anos para que elas não se contaminassem com a maldade humana. Mas, vejamos, elas não seriam assim um tanto alienadas? Digo, criancinhas solitárias em suas bolhas particulares, sem muita experiência e vivência. A verdade é que não há uma solução apropriada por ora, afinal, minha mente já corrompida não terá ideias muito sensacionais, né? Me conformo.

O que eu queria, de verdade, é que todos nós refletíssemos sobre nossas ações cotidianas, pois são elas, que traçam as linhas do desenho de quem realmente somos. Não sejamos mecanizados. Não sejamos preconceituosos. Antes de julgar as pessoas, avaliemos a nós mesmos. As nossas ações e as nossas ideias valem muito a pena.
Acho que é isso gente.
 
ps: Agradecimentos ao guri Guilherme que deu uma lidinha nisso aqui primeiro. Não é nada sensacional e eu demorei séculos pra postar, mas, tranquilo. Tá aqui.
ps1: Um fim de semana rock'n'roll pra todo mundo.

3 comentários:

Anete disse...

Flor, amei, concordo com o que voce falou. Parabens, esta muito bom! vc eh foda o/

Aninha disse...

Floooor, que bom que vc gostou. sua opinião é muito importante pra mim. obrigada, viu? bjão

Cá Mortella disse...

Acho que o ser humano compreende um pouquinho da teoria de Rousseau e um pouquinho da teoria de Hobbes,mas penas que somos tão pouco críticos(alienados) para darmos conta disso,assim como vc se deu Ana. Se deixássemos alguns valores(ou melhor: desvalores) que nos são passados desde pequenos pela sociedade,e passássemos a ouvir mais nossa consciência,o mundo seria melhor. Parabéns pelo blog,meu orgulho! Acompanharei sempre!