domingo, 27 de dezembro de 2009

A propagação do inviável

Fim de ano. Festas, reunião da família, sorrisos, roupas novas, comidinhas diferentes...
Todos estão aparentemente felizes. Esta é a época em que tudo é esquecido, os problemas são deixados de lado e somente a alegria toma conta dos nobres e mui sinceros corações dos seres humanos.
E eis a propagação do inviável... a propagação da mentira.
É difícil entender o que se passa dentro da cabeça das pessoas, e quando digo pessoas, me incluo nesse grupo. A verdade é que passamos o ano inteiro criticando umas as outras, opinando, sugerindo, retocando... enfim, estamos sempre querendo mudar os outros, pois achamos que o problema vem deles, e não da gente. Então, criamos um círculo vicioso de críticas e dívidas. Ninguém nunca é bom o bastante, a felicidade é sempre futura e a amargura tende a estar presente na mente e no coração.
Criamos intrigas, causamos dor... pedimos desculpas e logo em seguida fazemos tudo de novo, como se o significado de "desculpa" fosse simplório demais para ser respeitado.

E lá, lá está a minha felicidade
felicidade e clamor
pois com o toque severo de minhas mãos
(já mortas)
não posso sentir o calor
que deixei de emanar
por falta de amor.
E lá, lá onde acreditei estar o futuro
está a amargura
que nutri feito ceiva fervente
numa oração eloquente
de tristeza e de dor.
E lá, lá onde estavam os meus sonhos
vi somente escuridão
vi diabos e rancores
fundir meu coração!


TARAM! Chegou o fim de ano. É natal, é ano-novo. Nos unimos, nos amamos, idolatramos uns aos outros. E se disseres que fazemos tudo isso com verdade, é MENTIRA. É uma obrigação, como muitas outras que temos durante o ano. Devemos esquecer os erros. Devemos ser felizes. Devemos ignorar àqueles que detestamos. Devemos acreditar no que é imposto.

E todas as questões que fazemos o ano inteiro, morrem. Nessa época, em que deveríamos nos sentar e questionar o que fizemos, o que queremos e se realmente algo vale a pena, somos incubidos a calar a boca e esquecer.

Esqueça
Esqueça, oras
Não questione e esqueça!

O que deveria ser uma reflexão plausível e satisfatória, se torna uma bola de ironias e nojeiras. Deveríamos aproveitar essas datas para mostrar quem somos, o que nos faz bem. E não se valer de atitudes contraditórias... essas, definitivamente, não trazem bem algum.

Me despeço agora, desejando a vocês não todas essas babozeiras que todos fazem questão de desejar. Mas, consciência. Consciência nos seus atos diários e na sua personalidade. E consiciência para diferenciar a verdade da mentira.
Dedico a:

Minha Família!
Letícia Marin de Andrade, por ser a melhor amiga que alguém pode ter.
Gabriel Felippini Rossetti, por ser o melhor amigo que alguém pode ter.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Naquelas...

Hoje é um daqueles dias em que eu preciso escrever no Blog. Sinto que este espaço, onde posto os meus escritos, é bem mais que um caderno de textos, se tornou meu fiel amigo e escudeiro.

Por esse e outros motivos, que agora, mais que nunca, ele exerce um papel de extrema importância pra mim.

Às vezes coisas mui pequenas, se tornam grandiosas quando colocadas em ângulos diferentes. Algo que pode ser resolvido de maneira tão fácil e flexiva, se torna tão complexo, que por vezes acreditamos que tal problema não tem solução.

É ai que surge uma coisinha chata e incomoda, chamada angústia. É essa que abala o seu mundinho harmonioso e não te permite ver além do que é possível. É essa que te limita e domina.. e é essa que te faz sentir o pior dos seres. E não, isso não é um drama, é apenas a realidade dita de maneira tão real que é possível acreditar que esta seja uma mentira.

Talvez, milhares de pessoas se sintam assim por dias e dias. Não sabemos se angústia é algo premeditado e incontrolável, o que sabemos é que ela existe... e quando chega, é um porri.

Amigos são tesouros que vão muito além da questão financeira que o nome induz. Amigos são a vida que temos, e consequentemente, a pessoa que somos. Quando, por qualquer motivo, vemos algo desestruturar uma amizade... a angústia aparece, e sem perceber, ela sufoca.

Sufoca sem tocar.

Hoje, eu penso: afinal o que me leva a escrever essas coisas no blog?
Sinceramente, não faço a menor ideia.

Sei é que escrevo... e escrevo porque isso alivia muita vezes, essa dorzinha chata que insiste em habitar o nosso coração (sem motivo aparente).

E eu sinto falta. Falta de quando era criança e via a nuvem como bolinhas de algodão, e a vida como uma comédia, que sempre me traria risos!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eu Queria Encontrar Razão...



21 de Junho
Eu era eu ou era ela? Perguntava-me todas as noites o que estava errado, e muito embora me esforçasse, as respostas não vinham. Pensei em desistir, porém, algo dentro de meu coração maluco me impulsionava a continuar... me dizia exatamente o que fazer e quando fazer. O que eu não sabia, é que tudo não passava de ilusões, as quais eu mesma me capacitava em criar. Há vozes em minha cabeça...
24 de Junho
As vozes continuam aqui... aqui no meu cérebro. Elas sussuram o tempo todo... às vezes pedem ajuda, me imploram algo ou simplesmente me insultam, dizendo coisas horríveis. Não me deixam dormir, as malditas vozes. Disserram que se eu ousar pregar os olhos elas comerão o meu cérebro e me mandarão para o inferno. Peço para que vão embora, mas elas não vão. As malditas vozes soam o tempo todo, como um maldito sino de igreja!
30 de Junho
Não, não é impressão minha - como mamãe insistira desde o princípio - Elas existem e querem acabar comigo. O cheiro acre de sangue exala por toda casa. As paredes? Escorrem lágrimas, lágrimas de sangue. O chão? É putrefato... como se corpos em decomposição se remexessem por debaixo do piso, loucos para sair dali. A comida tem gosto ruim, mamãe não percebe, mas a maldita voz a influencia a cozinhar mal. O bife tem gosto de carne humana... carne humana viva!
7 de Julho
Já se passou uma semana. Estou tentando, juro por Deus que estou....mas elas insistem em continuar bem vivas dentro de mim. Ontem preguei o olho, pois já não aguentava mais de exaustão e de repente - pois bem, acredite se quiser - ela disse: "Irei comer o seu cérebro". Levantei-me abruptamente e olhei ao meu redor.
Mamãe tricotava e papai lia o jornal. Nenhum dos dois percebeu o pânico em minha face. Ao mesmo tempo em que eu tentava esconder o semblante amedrontando, erguia-o para que os meus pais pudessem reparar em mim. Cheguei a resmungar, mas não adiantou. Eu estava sozinha numa casa "lotada de pessoas".
*
Parei de marcar as datas, já perdi a noção do tempo. Sei que foram elas que fizeram isso, mas me recuso a acreditar que as mesmas foram capazes de tamanha maldade. Por que eu? Não tenho nada de mais. Não sou bonita, criativa, alegre, simpática, tampouco inteligente. Sou uma garota comum, com poucos ou nenhum atrativo. Não tenho nada que possa tê-las seduzido, absolutamente nada. Preciso fazer algo... urgente!
*
Agora dei pra ver luzes. Sim, de todas as cores. Elas me cegam e me dão náuseas.
Mamãe passou a me dar um remédio estranho, toda vez que o tomo fico tonta, nada faz sentido pra mim; ela disse que foi o médico quem receitou, mas algo me diz que foi a voz...sim foi ela, só pode ter sido ela!
*
Li num livro que as serpentes são venosas... discordo. As serpentes apenas se defendem usando a arma que têm. Se eu tivesse armas me defenderia, mas já desisti dessa possibilidade. Sei que por mais que tente, as armas jamais estarão ao meu alcance... é inútil tentar lutar contra elas!
*
Viva a grande Capital Comunista.
*
Deus santo, quem sou eu? Ajude-me a lembrar.
*
- Tome o chá, querida. Tudinho!
A mulher gorda se aproxima de mim com uma xícara irritantemente branca nas mãos. Seus olhos mistam loucura e prazer. Recuso o chá, porém, ela abre a minha boca e vira a xícara com o líquido quente, em minha boca. Minha garganta queima, arde, pipoca.
- Não quero!
Tento me desvencilhar, porém, ela é forte. Me detêm...

*

Um...dois...sete...nove... me perco com números. Me perco com tudo.

*
Preciso fugir daqui. Ele cometeu o suicídio na minha frente, Deus meu, ma minha frente. Por que não se matou em outro lugar? Eu não queria ter visto. Ele socava com violência os remédios na boca rasgada... socava.

*
Ontem, após a discussão, resolvi ir embora. Outrora recusaria, mas chegara a hora de decidir.
Madre já não mais vivia, e eu já desistira de entender. Tudo era companhia, a qual eu jamais imaginei saber. Madre minha, madre tua
Nossa madre
Quando e onde? Já não sei
Por que agora?
Não ouso responder.

Tenho medo das respostas que quero ter.
Tenho medo do que posso ser.
Tenho medo da história se inverter...
Tenho medo, somente!

*

Eu queria encontrar razão para o que eu sentia... eu queria encontrar razão para o que eu realmente
SOU!



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Ah, como eu ansiava por um dia dividir este texto com vocês. Na verdade, ele não faz sentido algum, é sem propósito e sem ideias muito interessantes, porém, algo nele me chama a atenção. Percebam como podemos estar sozinhos mesmo com pessoas "físicas" ao nosso redor... e como podemos estar acompanhados de "ninguém". Bem, este irei dedicar a algumas pessoas que adoro, e que de certa forma, me incentivam a escrever: Bia, Daly, Maria, Carlos, Evelyn, Ana Pola, Paulete e Camila. Obrigada!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Aqui e Agora!



Quando as coisas que queremos viver são mais importantes que as coisas que vivemos, nos deparamos com uma verdade cruel: a de que tudo que gostamos e precisamos parece estar sempre no futuro. O presente passa imperceptível, o passado não nos serve de aprimoramento, e o futuro? Este é o que almejamos, é a nossa fonte de felicidade e realização. Sem o futuro o espírito de busca morre no coração sufocado.

Penso, logo não chego a conclusão alguma. Qual é o sentido de viver o agora, quando na verdade queremos viver o futuro? Por que essa insatisfação? Tudo seria tão mais fácil se o presente não existisse e vivessemos somente o que queremos, da forma que queremos, no futuro que desejamos.

Construimos sonhos, elaboramos ideias, estipulamos metas... tudo isso para quando o futuro chegar. Somos dotados de uma capacidade que alguns chamam de dom, outros somente de habilidade: a de preparar o futuro. Nós, sábios gloriosos, autenticos e denotados de inteligência, sabemos e podemos controlar tudo... inclusive o futuro. Nós, sim nós. Mortais que se sujeitam a mortalidade, a ignorância e por vezes a ilusão. Nós, que deixamos de acreditar no que somos, para criar a imagem que do que seremos.

Aqui e Agora, uma música de Gilberto Gil diz: O melhor lugar do mundo é aqui, e agora!

E nós... nós, não somos capazes de concordar com tal frase. Não somos capazes de compreender o que é viver, pois não sabemos o que é VIVER!

Viver é estar aqui e agora, aproveitando, criando, desejando, amando, sorrindo, chorando, gritando, pulando, cantando, viajando... AQUI E AGORA! Pois o essencial é invisível aos olhos, é intocável.

Aqui fica registrado o meu pensamento do AGORA. Quanto ao futuro? Bem, ele é importante, pois será o meu presente muito em breve, mas, enquanto ele não chega, que tal viver?

Viver e deixar viver. Viver e fazer valer a pena!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Revisão de uma Vida

“A vida é uma grande piada de mau gosto, contada por ninguém menos que, o grande fracassado."

Quando nascemos nossos pais fazem questão de dizer que, se formos pessoas boas, obteremos coisas boas em nossa vida. ‘Plante e colherás’. Pois todos somos prova viva de que isso é mera ilusão. Creio que cada pai sabe muito bem disso, mas finge não saber para iludir o próprio filho assim como iludiu a si mesmo em sua monótona vida. Acredito que tanto o bem quanto o mal são meras tolices inventadas pelo próprio homem. Assim como a Liberdade de expressão e o ‘Direito igual para todos’. Ser bom não vai fazer de você uma pessoa feliz, assim como ser mau não te faz um infeliz.

Expressar-se do modo como bem quer não significa que sua opinião será ouvida - muitos somente fingirão saber que você está vivo para sustentar a virilidade hipócrita.

A vida é sinônimo de mentira. Vivemos numa mentira a qual nós mesmos criamos; gostamos de nos iludir, de fingir que tudo está bem e nada vai dar errado. Burrice. Nós somos Marionetes das quais qualquer um pode vir e fazer o que quiser...

Come crawling faster

Venha rastejando rápido

Obey your Master

Obedeça seu mestre

Your life burns faster

Sua vida queima rápido

Obey your Master

Obedeça seu mestre

Master

Mestre


A justiça não existe. Será que tudo não passa de uma ilusão? A vida resumi-se em pó. Sim, posso afirmar que sim. Você não sabe que vive até sentir a morte se aproximar. Você não sabe que é feliz enquanto a tristeza não chegar. Nós simplesmente só aprendemos a dar valor às coisas, depois que as perdemos... É estranho, mas real.

Eu jamais saberia o que é amor se não o tivesse perdido dentro de mim mesmo; já o ódio, esse nasce em nós antes mesmo que possamos controlá-lo. Infiltra-se em nosso sangue como um vírus mortal e acho que é o único que sobrevive às provações da Vida.

O passo. Ele é o principal elemento da vida. Um passo dado e você já não está mais no mesmo lugar, e isso não somente no sentido físico. Ao dar um passo você estrutura a base de sua vida, ou simplesmente a derruba de vez. Por isso é preciso ter certeza de que a direção escolhida é a certa, porque uma vez que você caminhou, não haverá mais volta. A vida contém portas: se você escolher a errada, não há mais chances, é o ponto final. O passo é o demônio, é o Anjo... Um sacana que gosta de enganar, mas jamais ser enganado!

Nós temos as nossas chances, mas por vezes optamos por dar um passo em falso. A vida foi o passo errado, o passo que deveria ser evitado, mas não foi Por que nós sempre achamos que o difícil é o mais fácil? Porque somos tolos, esnobes, medíocres! Queremos o que nos convém sem nos importar se isso vai ou não ser bom futuramente. Mas para que pensar no futuro? O ontem já se foi e o amanhã talvez nem venha. Mas saiba que, não pensar no futuro é fazer o mesmo consigo mesmo. Se isos lhe soou complexo, desculpe, eu sou apenas mais um mortal que se confundi com as palavras, que se perde em meio a tantos significados.

Quando juramos amor eterno assinamos o nosso suicídio. Não é eterno. No final, a uníca coisa eterna é a Morte, esperando sempre pelo momento certo para nos levar consigo...

Master, Master

Mestre, mestre

Where's those dreams that I've been after?

Onde está o sonho que tenho procurado?

Master, Master

Mestre, mestre

You promised only lies

Você prometeu apenas mentiras

Laughter, Laughter

Risos, risos

All I hear and see is laughter

Tudo que ouço e vejo são sorrisos

Laughter, Laughter

Risos, risos

Laughing at my cries

Rindo de meus gritos

Se viver é estar sempre de harmonia consigo mesmo, devo confessar que talvez a minha vida se resuma a um pressuposto vergonhoso. Não me lembro de jamais estar harmonioso comigo; nunca gostei de meu jeito desengonçado ou do modo como eu tratava as pessoas que queriam o meu bem. Talvez você pense que eu esteja apenas fazendo um drama, mas o que é a vida se não um ‘Drama mal elaborado’? Uma fusão de sentimentos que não podemos controlar e que se apoderam de nossos corpos fazendo-nos escravos da própria soberania!

Life it seems, will fade away

A vida, parece, irá esmorecer

Drifting further everyday

Derivando mais longo cada dia

Getting lost within myself

Se perdendo dentro de mim mesmo

Nothing matters no one else

Nada importa, ninguém mais

I have lost the will to live

Eu perdi a vontade de viver

Simply nothing more to give

Simplesmente nada mais a dar

There is nothing more for me

Não há nada mais para mim

Need the end to set me free

Preciso do fim para me libertar

Minha Ideologia me confunde, deixa-me louco! Tudo rodopia e sinto o gosto acre de sangue em minha boca, o vento murmurar em meus ouvidos que a hora está chegando e que nada que faça vai alterar o meu Destino. Porque Destino é uma via de mão única!

O mais engraçado nisso tudo é que eu já me sinto morto... Então por que temer a Morte se essa já se apoderou de mim?

Things are not what they used to be

As coisas não são o que parecem

Missing one inside of me

Perdido dentro de mim

Deathly lost this can't be real

Mortalmente perdido, isto não pode ser real

Cannot stand this hell I feel

Não posso suportar este inferno que sinto

Emptiness is filling me

O vazio me preenche

To the point of agony

Ao ponto da agonia

Growing darkness taking dawn

As trevas crescem tomando a aurora

I was me, but now he's gone

Hoje percebo que, a frase contida num livro, é a mais real do mundo: ‘ Morrer é quase nada, triste mesmo é não viver’. A verdade é cruel e sincera até demais. Talvez eu só aprenda o que é viver depois que morrer... Oh, mas como pude me esquecer? Eu já morri!

Yesterday seems as though it never existed

O ontem parece que nunca existiu

Death greets me warm, now I will just say goodbye

A morte me acolhe carinhosamente agora

Eu irei apenas dizer adeus


O fim da vida é um novo recomeço. E o recomeço é uma nova chance para se viver.

***

Olá caros leitores, bem este é o trecho de "Persuasão", uma história que escrevi para concorrer um Challengue e da qual muito me orgulho, não somente pelo fato de ter ganhado, mas por ter algo que expressa muito o que sentimos, porém temos medo, ou talvez vergonha de falar. Enfim, eu não poderia deixar de dividir o meu trecho favorito com vocês.

Bem agradeço desde já por tudo, um abraço, Aninha!

*Dedico a Letícia Marin de Andrade, por ela ser uma amiga super presente em minha vida. Obrigada.

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