sábado, 29 de maio de 2010

Jack: o meu Rock Star

Com a música, fica beeeeeem mais agradável!

Não se escolhe um grande...

Conheci Jack no Colégio, o ano era 1970. Ele era almejado por todas as garotas, e quando digo todas, são todas mesmo. Não sei se era porque tinha um cabelo preto cintilante lindo e olhos azuis memoráveis, ou se porque era totalmente diferente dos outros garotos. Jack era grotesco... Usava jeans rasgadas, uma jaqueta preta surrada, um coturno preto e várias correntes de prata. Era para ser o garoto mais abominável do mundo, porém, todo aquele jeito de homem das cavernas parecia mexer ainda mais com o coração das garotas (ao menos garotas do meu colégio, que passaram a vida inteira indo à igreja e que a única coisa extraordinária que viram na vida foi uma peça encenada por atores da própria igreja).

Apesar de todo esse amor que sentíamos por Jack, nenhuma de nós tinha coragem suficiente de se aproximar dele. Era uma espécie de amor platônico, se bem me entendem: Jack lá no canto dele e nós no nosso canto. A verdade é que também tínhamos um pouco de medo dele. Jack era do tipo que não se podia encarar por mais de 2 segundos sem que ele gritasse em alto e bom som: “Quer transar garota?”. Bem, o restante já é de se imaginar, a garota ficava super constrangida por causa das palavras de Jack e as risadas extravagantes de seus amigos retardados, e acabava por sair do caminho deles o mais depressa possível.

No entanto, eu estava louca por ele. Louca o suficiente para não correr caso dissesse algo indelicado pra mim. Eu iria suportar tudo, provaria a Jack que não era mais uma garota imbecil apaixonada por ele... Eu era somente uma garota maluca apaixonada por ele (o que não mudava muita coisa).

E foi numa manhã de 1º de Setembro que decidi arriscar. Não importava se Jack ia me deixar constrangida, rir de mim, me xingar ou qualquer outra coisa do gênero, iria encará-lo por mais de 3 segundos. Eram somente 3 segundos, não imaginei que seria tão difícil, porém... admito que foi pior do que eu pensava. Minha decisão aquele dia foi a mais importante, foi essa que estruturou toda a minha vida a partir daquele olhar.

Planejei tudo. Eu sabia exatamente o que fazer e quando fazer, estava tudo friamente calculado e eu não iria desistir.

Quando soou a campanha, eu joguei meus cadernos e livros dentro da mochila. Fui ao banheiro e lá comecei a me produzir. Passei lápis preto nos olhos e um batom levemente avermelhado nos lábios (pois eu não queria aparentar ser uma garota vulgar); pus uma blusa preta com um decote em “V” e uma saia xadrez. Coloquei a mochila nas costa e sai andando em sentido ao pátio.

Logo que cheguei ao gramado, avistei o grupo de Jack. Eles estavam rindo feito hienas loucas e jogando cartas. Nenhum deles percebeu que eu me aproximava vagarosamente. Estava tentando bolar alguma coisa sensata pra falar, pois já havia me esquecido totalmente das frases que elaborara anteriormente. Me escondi atrás de uma árvore e respirei fundo. Chegara a hora, e eu deveria fazer o que programara. Dei três passos e foi nesse instante que resolvi mudar meus planos. Eu não iria fazer uma pergunta idiota para que todos rissem de mim. Não, mesmo. Corri em direção a eles, e só então os olhos vermelhos (de tanto usar drogas) miraram em mim. Encareio-os todos, sem exceção. Atirei a minha bolsa no chão e cruzei os braços, eles estavam preparados para rirem da minha cara quando gritei:

- Ok, garotos. Se querem rir, tudo bem. Quer saber de uma coisa? Vocês se acham muito bons, só porque andam com umas correntes de prata e calças rasgadas. Qualquer um pode sair por ai usando drogas, jogando cartas e curtindo Rock’n’Roll!

Jack me olhou intrigado, seu rosto expressava dúvida em rir ou me responder à altura. Pegou um cigarro, acende-o. Tragou duas vezes e disse:

- E o que isso tem a ver?

Todos começaram a rir estrondosamente, a esta altura um grande número de pessoas já nos observava.

- Não sei o que tem a ver. O que sei é que muita gente pensa isso e não tem coragem de dizer. Se ser sincero é incômodo pra vocês...

- Sim, é incômodo pra gente. Agora é melhor dar o fora, ou teremos que ser maus com você. Acredite, você não ia gostar de nos ver bravos.

- Ótimo. Fodam-se todos.

Olhei para eles furiosamente. Meu coração estava esmagado, eu tinha ferrado tudo. Quis me passar por uma garota forte e autêntica e acabei me sentindo uma fracassada.

- O que foi que disse? – perguntou Jack, levantando-se e jogando as cartas no chão.

Seus amigos pararam de rir. De repente os olhos felizes aparentavam um pouco de medo. Jack caminhou em minha direção, e algo dentro de mim suplicava para que eu fugisse, porém, meus pés se fixaram no chão e não me restou alternativas a não ser esperar que Jack Tornelli me destruísse.

- Mandei vocês se foderem! – respondi, tentando me manter firme até o último instante.

- Ok. Foda-se você também. Quem pensa que é pra chegar aqui atrapalhar o nosso jogo, nos xingar e querer bancar a Super Garota?

- Posso lhe assegurar que sou muito melhor que você, Jack Tornelli. Sinceramente, você pode parecer um monstro muito malvado, mas isso não me assusta nem um pouco.

- Ah não, é? Não te assusta?

- NÃO! – Gritei. Levantei a mão, com uma coragem que eu jamais tive na vida, e direcionei-a na face de Jack. Ele segurou o meu pulso e encarou-me furiosamente.

- Achou mesmo que eu ia deixar uma garotinha mimada e tonta me estapear?

- Me solta!

- Peça desculpas.

- NÃO!

- Porra, peça desculpas agora.

- Que parte de “NÃO” você não entendeu?

O grupo de pessoas que se aglomerava ao nosso redor estava cada vez maior. Em segundos, a diretoria, a polícia, os guardas civis e mais um bando de curiosos estaria ali. Eu não queria que Jack ficasse encrencado, porém, os meus esforços para que ele me soltasse eram inúteis.

- Jack! – ouvi um de seus amigos gritar, mas Jack parecia não perceber nada. Seus olhos estavam fixos em mim – Jack, solta a garota. Ela está bêbada cara, vamos dar o fora.

- Cale a boca, Johnny! – Jack berrou. Eu estremeci.

Mais pessoas começaram a gritar, exigindo que Jack me soltasse. Meu coração batia muito rapidamente, eu estava com muito medo. Medo de que todos se revoltassem e resolvessem estourar o Jack de porrada. Precisava tomar uma atitude para tirá-lo daquela confusão. Eu já sabia o que fazer, e admito, gostava da ideia.

- Jack, o que você tem cara? Ela só estava brincado. Vamos embora de uma vez, droga!

- Não enquanto ela não me pedir desculpas!

- Está bem. Quer que eu lhe peça desculpas, Jack? Ótimo, se é isso que quer, eu peço. Porém, será do meu jeito.

Jack olhou para mim interrogativamente e antes que pudesse reagir, me desvencilhei dele. Jack me puxou fortemente e eu posicionei minha mão nos lábios dele. Agarrei-o e encostei meus lábios nos seus. A princípio, pensei que ele iria me empurrar, porém, para minha grande surpresa, Jack reagiu muito bem. Nos beijávamos com entusiasmo, Jack me apertava contra si tão fortemente que quase quebrou meus ossos. Eu ouvia gritinhos, berros ocos e aplausos exagerados, mas não prestava muita atenção em nada. Jack parou de me beijar e me encarou. Me puxou, e juntos, fomos para um lugar mais tranqüilo, onde ficaríamos mais a vontade pra “conversar”
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Ahhhh como eu amo esse trecho, admito que foi um dos mais fáceis de escrever. Jack é bem o tipo de homem que muitas meninas querem. E é claro que eu não poderia deixar de dedicar a todos os meus amigos do Rock'n'Roll. Eu prometo colocar a continuação um dia. Bjones.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

C'est L'amour


O Amor. Ô coisa maluca, que entorpece, enlouquece, enfraquece... Amor pode ser bicho de sete cabeças ou um ursinho colorido, isso varia de pessoa pra pessoa, da interpretação de cada uma. Há o lado bom de amar, e como há.

Eu costumo dizer que amor não requer idade, sexo, estilo, lugar nem hora pra acontecer. Ele vem de repente, como um empurrão do seu amigo palhação, ou, devagarzinho, como a sua tartaruguinha. O fato, é que pra cada pessoa acontece de uma maneira, em uma situação específica. Não importa o tipo de amor que você sinta, ele sempre será bom, se bem interpretado. Se bem vivido.

Vale ressaltar que amor e paixão são bem diferentes. Aquilo que te faz sofrer feito um louco, que abala todas as suas estruturas e te deixa super vulnerável não pode ser chamado de amor. Convenhamos: quem foi que inventou essa história que amar faz sofrer?

O que faz sofrer é o próprio medo, a própria sofridão existente dentro de nós. O lance é que às vezes temos a sensação que o amor desperta isso, não? Em partes, sim.
O que é um amor não correspondido, peoples? Você quer desaparacer do mapa, passa a comer muito (ou simplesmente não comer), chorar em situações rotineiras (como ouvir uma música e assistir um filme), cria uma bolha particular e se esconde lá dentro, fica disperso, desanimado, se sentindo solitário e incompreendido. É, esses são alguns dos piores sintomas que acreditamos vir do amor, mas não é bem assim que as coisas funcionam.

Há o sofrer natural e aquele que nós induzimos. É possível sofrer por querer? Mas é claro que sim. Se sentir o coitado, ou se perguntar onde errou, quando na verdade não é nem uma coisa nem outra. Algumas coisas acontecem porque realmente tem que acontecer. Pessoas passam por nossas vidas para compartilhar, beneficar e serem beneficiadas. Isso não significa que vá durar pra sempre ou que a tal pessoa tenha a obrigação de estar perto sempre que você quiser. A liberdade não é uma palavra aleatória e sem sentido.

Nós é que somos, por vezes, egoístas demais, mimados demais, bitolados demais; não nos permitimos viver algo incrível, porque temos medo do resultado final. Esquecemos que não existe fim sem começo e meio, e que o presente é que realmente importa. Viver o agora da melhor forma possível.

Conhecer o ser humano, tal como ele, com todos os seus defeitos e qualidades é importante. Não existe uma pessoa perfeita, isso é ilusão de quem tem paixão, quem ama vê a essência e não o superficial. O que seria a essência? Não, não é um componente do seu perfume, mas da sua alma, da sua veracidade como pessoa.

E, toda essa enrolação é pra dizer uma coisa: amor é subjetivo. Não queira que os outros o entendam como você se entende. Nem que amem como você ama. Cada um tem o seu jeitinho e as suas limitações, saiba compreender, ok?

E sejamos sinceros, se amor fosse ruim, ninguém ia gostar de amar!

Bom fim de semana e muiiito amor, porque afinal, a bagaça é boa, vai!

PS: Texto da 1ª semana de Maio e eu vou dedicar pra Nara Cristina, minha primovisky. Parabéns xuxu, que vc não deixe de amar as pessoas e principalmente, saiba compreender o universo em que vive.

Foto: Imagem de Ron, Hermione e o filhusco do casal [Saga Harry Potter]. Não há personagens que representem melhor esse artigo que eles dois [fato].