quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Verborragia


Falam-me sobre todas essas maravilhas
Que existem apenas de onde vieste:
Falam-me sobre a dor e a loucura
Sobre o sangue vermelho
E sobre a terra escura


Eles me contam sobre as lágrimas
Que vocês tanto derramam
Do escuro o qual vocês temem
Do suor, do sangue, do sêmem
E de quem os desesperados chamam
E como se ocultam da verdade que vocês tanto temem


Me ensinam sobre o organismo
e sobre os monstros que o ameaça
Me ensinam sobre os detalhes
Já disseram-me muito sobre os olhares
E que são a única coisa que existe
E que no fundo são também apenas os detalhes


O conhecimento me veio dos pássaros
- e de sua incrível capacidade de voar! -
dos peixes
- e de sua incrível coragem para desbravar!
Um oceano tão grande
Tão infinito, tão triste, tão azul, tão morto.
Tão azul quanto os olhos de alguém que já amou

Não me interessava nada disso.
Não quis me importar com o orgulho, com a honra
Com a capacidade do ser humano de amar

Todas as palavras que diziam
(PALAVRAS SÃO A ÚNICA COISA A TEMER!)
Chegavam em mim e se perdiam
Chegavam em mim como vieram ao mundo
Estáticas

Pois toda palavra um dia já foi silêncio.
E infelizmente, ninguém sequer comentou
Sobre a face humana.
Só não comentaram sobre a face humana.

Estavam absortos em sua verborragia,
sobre o medo de um certo alguém, de um certo fim,
Sobre as diferenças de um ce
rto sagrado e um
certo Profano.

Enquanto eu só nutria o desejo pela face.
Gritei, chorei, e tudo que pedia era a visão dela novamente!
Talvez com olhos azuis.
Mas ninguém se importou com a visão.
Ninguém se importou com toda poesia contida na face.



Só não me disseram sobre o verso livre
Sobre todo o lirismo e toda lúdica!
Como puderam se esquecer do líbido enfurecedor
em um verso livre?
E como poderiam eles dizer que certas palavras não existiam se eu de fato sentia e conseguia pronunciá-las?

Pois meu verso livre veio ao mundo desejando ser livre,
ser lúdico, ter líbido e nutrir a paixão de um esquizofrênico absorte em seus pensamentos
abstratos
Mas isso é profano.


Escrito por: Gabriel. F. Rossetti.


Por inúmeros motivos, este escrito me deixa completamente boba.
Gabriel me enviou há alguns dias e eu prometi postar aqui. Acredito que tudo que é bom
deve ser dividido com o maior número de pessoas possíveis. Ai está um escrito que deve
ser visto como princípio de diversas reflexões. É interessante a ideia principal e o
desenrolar dela, mas é ainda mais interessante a forma como ela surge e domina nossas mentes.


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