21 de Junho
Eu era eu ou era ela? Perguntava-me todas as noites o que estava errado, e muito embora me esforçasse, as respostas não vinham. Pensei em desistir, porém, algo dentro de meu coração maluco me impulsionava a continuar... me dizia exatamente o que fazer e quando fazer. O que eu não sabia, é que tudo não passava de ilusões, as quais eu mesma me capacitava em criar. Há vozes em minha cabeça...
24 de Junho
As vozes continuam aqui... aqui no meu cérebro. Elas sussuram o tempo todo... às vezes pedem ajuda, me imploram algo ou simplesmente me insultam, dizendo coisas horríveis. Não me deixam dormir, as malditas vozes. Disserram que se eu ousar pregar os olhos elas comerão o meu cérebro e me mandarão para o inferno. Peço para que vão embora, mas elas não vão. As malditas vozes soam o tempo todo, como um maldito sino de igreja!
30 de Junho
Não, não é impressão minha - como mamãe insistira desde o princípio - Elas existem e querem acabar comigo. O cheiro acre de sangue exala por toda casa. As paredes? Escorrem lágrimas, lágrimas de sangue. O chão? É putrefato... como se corpos em decomposição se remexessem por debaixo do piso, loucos para sair dali. A comida tem gosto ruim, mamãe não percebe, mas a maldita voz a influencia a cozinhar mal. O bife tem gosto de carne humana... carne humana viva!
7 de Julho
Já se passou uma semana. Estou tentando, juro por Deus que estou....mas elas insistem em continuar bem vivas dentro de mim. Ontem preguei o olho, pois já não aguentava mais de exaustão e de repente - pois bem, acredite se quiser - ela disse: "Irei comer o seu cérebro". Levantei-me abruptamente e olhei ao meu redor.
Mamãe tricotava e papai lia o jornal. Nenhum dos dois percebeu o pânico em minha face. Ao mesmo tempo em que eu tentava esconder o semblante amedrontando, erguia-o para que os meus pais pudessem reparar em mim. Cheguei a resmungar, mas não adiantou. Eu estava sozinha numa casa "lotada de pessoas".
*
Parei de marcar as datas, já perdi a noção do tempo. Sei que foram elas que fizeram isso, mas me recuso a acreditar que as mesmas foram capazes de tamanha maldade. Por que eu? Não tenho nada de mais. Não sou bonita, criativa, alegre, simpática, tampouco inteligente. Sou uma garota comum, com poucos ou nenhum atrativo. Não tenho nada que possa tê-las seduzido, absolutamente nada. Preciso fazer algo... urgente!
*
Agora dei pra ver luzes. Sim, de todas as cores. Elas me cegam e me dão náuseas.
Mamãe passou a me dar um remédio estranho, toda vez que o tomo fico tonta, nada faz sentido pra mim; ela disse que foi o médico quem receitou, mas algo me diz que foi a voz...sim foi ela, só pode ter sido ela!
*
Li num livro que as serpentes são venosas... discordo. As serpentes apenas se defendem usando a arma que têm. Se eu tivesse armas me defenderia, mas já desisti dessa possibilidade. Sei que por mais que tente, as armas jamais estarão ao meu alcance... é inútil tentar lutar contra elas!
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Viva a grande Capital Comunista.
*
Deus santo, quem sou eu? Ajude-me a lembrar.
*
- Tome o chá, querida. Tudinho!
A mulher gorda se aproxima de mim com uma xícara irritantemente branca nas mãos. Seus olhos mistam loucura e prazer. Recuso o chá, porém, ela abre a minha boca e vira a xícara com o líquido quente, em minha boca. Minha garganta queima, arde, pipoca.
- Não quero!
Tento me desvencilhar, porém, ela é forte. Me detêm...
*
Um...dois...sete...nove... me perco com números. Me perco com tudo.
**
Um...dois...sete...nove... me perco com números. Me perco com tudo.
Preciso fugir daqui. Ele cometeu o suicídio na minha frente, Deus meu, ma minha frente. Por que não se matou em outro lugar? Eu não queria ter visto. Ele socava com violência os remédios na boca rasgada... socava.
*Ontem, após a discussão, resolvi ir embora. Outrora recusaria, mas chegara a hora de decidir.
Madre já não mais vivia, e eu já desistira de entender. Tudo era companhia, a qual eu jamais imaginei saber. Madre minha, madre tua
Nossa madre
Quando e onde? Já não sei
Por que agora?
Não ouso responder.
Tenho medo das respostas que quero ter.
Tenho medo do que posso ser.
Tenho medo da história se inverter...
Tenho medo, somente!
*
Eu queria encontrar razão para o que eu sentia... eu queria encontrar razão para o que eu realmente SOU!
Madre já não mais vivia, e eu já desistira de entender. Tudo era companhia, a qual eu jamais imaginei saber. Madre minha, madre tua
Nossa madre
Quando e onde? Já não sei
Por que agora?
Não ouso responder.
Tenho medo das respostas que quero ter.
Tenho medo do que posso ser.
Tenho medo da história se inverter...
Tenho medo, somente!
*
Eu queria encontrar razão para o que eu sentia... eu queria encontrar razão para o que eu realmente SOU!
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Ah, como eu ansiava por um dia dividir este texto com vocês. Na verdade, ele não faz sentido algum, é sem propósito e sem ideias muito interessantes, porém, algo nele me chama a atenção. Percebam como podemos estar sozinhos mesmo com pessoas "físicas" ao nosso redor... e como podemos estar acompanhados de "ninguém". Bem, este irei dedicar a algumas pessoas que adoro, e que de certa forma, me incentivam a escrever: Bia, Daly, Maria, Carlos, Evelyn, Ana Pola, Paulete e Camila. Obrigada!
2 comentários:
Como sem propósito? Como sem idéia? O texto em si já é a própria razão de ser escrito.
amei... como amo vc
uuuuhhhh
sem gracinhas
nháà HONRA... prazer é grande de ter uma Grandee Garota ao meu lado!
inteligente ao extremo..! e que só transmite coisas boas!
simplismente a companiia perfeita..
Biia.!
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